Positive Ventures fecha captação de R$ 55 milhões

Projeto contou com a adesão de investidores de gestoras de fortunas, private banking e executivos conhecidos do mercado financeiro.

A Positive Ventures levantou R$ 55 milhões para o seu primeiro fundo de participação em empresas com foco em impacto social e ambiental. O projeto contou com a adesão de investidores de gestoras de fortunas, private banking e alguns executivos conhecidos do mercado financeiro.

Entre eles estão Luis Stuhlberger, da Verde; Fábio Barbosa, conselheiro da fundação das Nações Unidas, da Natura e Hering e presidente da Fundação Itaú para a Educação e Cultura; a ambientalista Teresa Bracher e o marido Cândido Bracher, do Itaú; e Marcelo Barbará, sócio-fundador da Lanx e da Cambuhy. São nomes da rede de filantropia o país que têm igualmente fomentado o investimento de impacto – que visa retorno financeiro e legados para a sociedade e governança das investidas.

Do dinheiro captado, 50% foram alocados, diz Andrea Oliveira, cofundadora e CEO da Positive. O plano é ter de oito a dez investimentos, com uma reserva para ofertas subsequentes. O fundo vai ter até quatro anos para usar os recursos e até seis para desinvestir. Os cheques variam de R$ 1 milhão a R$ 5 milhões, o típico capital que alimenta negócios iniciais.

Fábio Kestenbaum, presidente do comitê de investimento, diz que havia fôlego para captar até R$ 58 milhões, mas queria ter um fundo competitivo. O alvo são empresas de tecnologia que possam escalar soluções para desafios sociais e ambientais, alguns feitos em conjunto com fundos de venture capital tradicionais. “O coinvestimento com a turma que tem a perspectiva risco/retorno é muito rico. A gente puxa o ambiental e social, os fundos se complementam de modo que a startup contemple os dois mundos.”

No portfólio há a Labi Exames, com unidades tanto em regiões centrais quanto em comunidades pobres. Fundada pelo ex-CEO da Dasa Marcelo Noll Barboza, foi um coinvestimento com a Igah.

Com a Canary, a Península e o fundo americano Potencia, a Positive entrou na Letrus, que ataca o analfabetismo funcional com uso de inteligência artificial. “89% dos brasileiros adultos não conseguem ler e interpretar um texto, é uma população que não consegue ascender socialmente, não passa numa entrevista de emprego”, diz Bruna Constantino, cofundadora da casa.

Na área de educação há ainda a Slang, que monta cursos de inglês específicos conforme a área de trabalho a custos acessíveis. O negócio mais recente na carteira foi na Neomed, que faz o laudo de exames médicos por meio de um software que encurta a distância entre diagnóstico e tratamento.

“Negócios em que são incorporadas boas práticas saem na frente, é uma tese”, diz Andrea. “Queremos estar nessa transição. Tem uma nova geração que consome e investe, que exige mais transformação. Na crise, a gente viu que negócios de impacto são mais resilientes.”

A reunião do time da Positive Ventures reflete esse olhar. Andrea participava da gestão e do conselho das companhias da família, no setor imobiliário, e após um mestrado em economia e sustentabilidade quis colocar para fora aquilo que fazia com capital proprietário. Bruna trabalhou com produção audiovisual antes da transição para o investimento de impacto. Kestenbaum atuou em fusões e aquisições do Itaú e Unibanco, Sadia e Perdigão, e BM&F e Bovespa no BMA. O último a chegar foi Murilo Menezes, que liderou a frente de impacto na Maraé, single-family office de Guilherme Leal, co-fundador da Natura. Antes, passou pelo Goldman Sachs e Itaú BBA. É o elo da Positive com o Vale do Silício, na Califórnia, onde vive.

Fora do dia a dia, como sócios, há ainda Ricardo Castro, do fundo canadense CPP Investments, que ajudou a estruturar a operação, e Alex Seibel, acionista da Leo Madeiras e Duratex.

Fonte: https://valor.globo.com/ 

05/03/2021

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